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A ESCAVADEIRA
Todo silêncio me incomoda.
Ele sempre omite alguma coisa:
uma traição tramada entre as glicínias
a explicação final sobre a existência ou a inexistência de Deus
o rumor dos ratos no entulho
o choque entre a hélice e o vento no aeroporto desativado.
Mas a manhã irrompe no canteiro de obras e ouço o barulho da escavadeira.
Os homens já acordaram e voltaram a construer e a destruir.
Vão fazer novas casas e novov túmulos.

Na manhã de sol o fusca pára no oitão do motel.
Mais uma vez pênis e vagina vão tenar entender-se
neste mundo de tantos descencontros.
A escavadeira escava e as esteiras avançam na cratera aberta como uma corola.
Visto pelo olhos sonolentos do trocador de ônibus que passa pela
avenida o mundo é uma representação.
STEAM SHOVEL
All silence troubles me.
There’s always something it leaves out:
a treason plotted amongst wisterias
the final explanation of the existence or the inexistence of God
the sound of rats in the rubbish
the clash of propeller and wind at the abandoned airport.
But morning bursts forth at the work site and I hear the noise of the steam shovel.
Men have already awakened and returned to their construction and destruction.
They’re going to build new houses and new tombs.

In the sunny morning, the Beatle comes to a stop in the motel alley.
Once again penis and vagina will try to understand each other
in this world so filled with failed encounters.
The steam shovel shovels and the caterpillar treads advance in the crater open like a flower.
Seen by the conductor’s sleepy eyes as the bus goes down the avenue, the world as spectacle.